quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Livro "A Semente" na Final do Prêmio Olho Vivo

Agradeço a todos que votaram no meu livro "A Semente", que ficou entre os 3 primeiros classificados na categoria livro, no Prêmio Olho Vivo, do Jornalista Cláudio Alcântara, na votação pela internet. 

Veja o resultado da votação aqui: http://www.olhovivoca.com.br/enquetes/124/livro-em-qual-voce-vota-para-receber-o-premio-olho-vivo-2015/resultado/

Agora vamos ao júri técnico, em fevereiro no Teatro Gacemess, em Volta Redonda

Publiquei um Presente de Natal para todos que votaram e para os que não votaram no meu livro. É o conto que dá nome ao livro "A Semente". Espero que gostem.

Deixem aqui o seu comentário sobre o conto.

A Semente - Victor S. Gomez
Enquanto Lila mordia aquela fruta, eu ia pensando o que seria do mundo sem a semente que estava dentro dela. A cada mordida minha agonia aumentava. Meu medo era da semente ser machucada pela mordida e não mais germinar. A árvore de fruta manga era a última que restava nesta parte do mundo. Já há algum tempo as árvores foram parando de florescer. Demorava mais um tempo e elas começavam a secar. As folhas caiam e logo depois os galhos secos quebravam, sobrando no final apenas o tronco enrugado e morto.
Meu pai era um dos guardiões das últimas árvores e assim que ele morreu os chefes da aldeia elegeram-me para substitui-lo. A princípio tentei escapar dessa tarefa, pois sabia que não teria tempo para mais nada. Pensei nas brincadeiras que perderia, nos mergulhos na lagoa do Mato Alto, nas escaladas ao Pico da Fumaça, Tudo isso ficaria impossível de agora em diante. Não tive escolha, o posto era hereditário. Passava de pai para filho. Dia e noite eu teria de ficar ali, tomando conta da árvore de fruta manga, pois ela fora a única a resistir à praga.
Muitas notícias chegavam até minha aldeia sobre os acontecimentos de fora. Os viajantes diziam que todas as árvores estavam doentes e morrendo por todos os lugares onde passavam. Diziam terem encontrado pelos caminhos do mundo, pessoas catando amostras e fazendo cara feia para quem tentava conseguir com eles uma resposta sobre o assunto. Quando alguém se aproximava, simplesmente fechavam a cara e davam as costas, deixando quem perguntava falando sozinho. Às vezes ameaçavam com gestos e palavras obscenas. Poucos resolviam falar e para espanto dos viajantes diziam apenas não ter nada a declarar. O certo era que se sabiam de alguma coisa, não contavam nem para eles mesmos.
Um dos aldeões, me contou que um tempo atrás o homem havia selado seu destino na terra. Não soubera usar seu planeta e encerrara seu ciclo de vida nesse mundo. A prova era a morte lenta e agonizante das árvores. As plantas pequenas, disse ele, ainda não tinham sido atingidas, mas em breve uma nova praga surgiria acabaria com elas também. Essa profecia apocalíptica me deixara tão deprimido e angustiado, que eu nem mais conseguia dormir direito. Passava a maior parte das noites em claro, esperando a última árvore de fruta manga florescer. Precisava apenas de uma flor, para dela surgir um fruto e assim conseguir uma semente. A resistência daquela arvore talvez trouxesse uma nova planta e quem sabe enterrasse para sempre a profecia daquele aldeão. Perdido em meus pensamentos e com tantas noites sem dormir dei uma pequena cochilada. Devo ter passado um bom tempo assim. Quando abri os olhos, dei um salto ao me deparar com a menina Lila mordendo a fruta manga que acabara de madurar. Não quis gritar para não assustá-la. Podia com o susto fazê-la sem querer morder a semente e acabar com a nossa última esperança. Esperei ali parado, quieto, vendo-a brincar com o caroço na boca. Sei que se as outras pessoas a descobrissem fazendo aquilo, ela seria castigada. Mas eu a entendia, ela era uma menina pequenininha, bem mais nova do que eu, como poderia resistir aquela doce fruta madura.

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