quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Clarice - Caetano Veloso

Clarice é uma música do segundo álbum do cantor Caetano Veloso, sendo seu primeiro álbum solo, gravado em 1967 e lançado em 1968 pela gravadora Philips Records. Teve arranjos de Júlio Medaglia, Damiano Cozzella e Sandino Hohagen.

A música Clarice é segunda faixa deste álbum. O LP foi eleito em uma lista da versão brasileira da revista Rolling Stone como o 37º melhor disco brasileiro de todos os tempos.


Clarice
Caetano Veloso

Há muita gente 
Apagada pelo tempo 
Nos papéis desta lembrança 
Que tão pouco me ficou 
Igrejas brancas 
Luas claras na varandas 
Jardins de sonho e cirandas 
Foguetes claros no ar 
Que mistério tem Clarice 
Que mistério tem Clarice 
Pra guardar-se assim tão firme, no coração 
Clarice era morena 
Como as manhãs são morenas 
Era pequena no jeito 
De não ser quase ninguém 
Andou conosco caminhos 
De frutas e passarinhos 
Mas jamais quis se despir 
Entre os meninos e os peixes 
Entre os meninos e os peixes 
Entre os meninos e os peixes 
Do rio, do rio 
Que mistério tem Clarice 
Que mistério tem Clarice 
Pra guardar-se assim tão firme, no coração 
Tinha receio do frio 
Medo de assombração 
Um corpo que não mostrava 
Feito de adivinhações 
Os botões sempre fechados 
Clarice tinha o recato 
De convento e procissão 
Eu pergunto o mistério 
Que mistério tem Clarice 
Pra guardar-se assim tão firme, no coração 
Soldado fez continência 
O coronel reverência 
O padre fez penitência 
Três novenas e uma trezena 
Mas Clarice 
Era a inocência 
Nunca mostrou-se a ninguém 
Fez-se modelo das lendas 
Fez-se modelo das lendas 
Das lendas que nos contaram as avós 
Que mistério tem Clarice 
Que mistério tem Clarice 
Pra guardar-se assim tão firme, no coração 
Tem que um dia 
Amanhecia e Clarice 
Assistiu minha partida 
Chorando pediu lembranças 
E vendo o barco se afastar de Amaralina 
Desesperadamente linda, soluçando e lentamente 
E lentamente despiu o corpo moreno 
E entre todos os presentes 
Até que seu amor sumisse 
Permaneceu no adeus chorando e nua 
Para que a tivesse toda 
Todo o tempo que existisse 
Que mistério tem Clarice 
Que mistério tem Clarice 
Pra guardar-se assim tão firme, no coração

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