quarta-feira, 7 de março de 2018

Poetas da Geração Beat

Foi o primeiro movimento literário que teve uma ligação direta com a música. Como representantes mais fortes da arte da voz, violão e poesia estão Bob Dylan (sempre muito ligado a Ginsberg). Pedro Kalil

Memória Beat - Poema do Absurdo - Victor S. Gomez

Conheci Allen Ginsberg quando distribuía flores em uma grande cidade ao norte daqui,
mas muito parecida com outras grandes cidades do mundo.
Alguns não acreditam,
mas eu estive com ele.
Ele parou, me olhou nos olhos e disse:
E aí garoto o que está fazendo por esses lados?
Está precisando de alguma coisa?
Em que posso ajudá-lo?
Que tal irmos ao bar mais próximo?
Gostaria de lhe contar algumas histórias.
Atravessamos aquela enorme avenida,
poucos carros circulavam,
mas todos de cores brilhantes,
e nossos reflexos andavam por suas latarias.
Do outro lado,
no bar, era um entra e sai de várias pessoas.
Loucos vagavam por ali,
poetas,
saltimbancos,
músicos,
toda espécie de gente.
Sentamos bem ao fundo,
bebemos, 
conversamos muito.
Uma algazarra tremenda se fazia ali.
Muita música e uma parada de vez em quando,
eram poetas loucos,
ou loucos poetas declamando seus absurdos poemas, 
contra tudo e contra todos,
se respirava muita emoção por ali.
E eu sentado diante de um dos maiores poetas norte-americanos,
ouvindo suas histórias,
era um tempo de verdades escritas.
E ele me falava todas aquelas coisas,
declamava seus poemas sublimes,
e eu ia tentando guardar o máximo que podia,
e fui aprendendo,
assimilando o melhor daquilo tudo.
Eu realmente estive com ele.
E foi naquele submundo,
cheio de fumaça,
que ouvi de sua boca:
"Para onde Oh América
é que guias o teu
glorioso automóvel,
a que acidentes te inclinas".
Então percebi,
que meus pobres versos,
meus mais simples escritos,
em nada se aproximavam daquelas frases.
Eu pequeno terceiro mundista,
nunca saberia da grandiosidade dos doces poetas,
eu nunca teria a sorte de me expressar de maneira tão grandiosa.
Suas palavras tinham a serenidade do mais distantes dos oceanos.
Naquela noite,
uma noite do início dos anos 60,
que nunca mais esqueci,
eu aprendi:
Nós crescemos a medida que aprendemos com nossos erros.
O mundo é maior do que pensamos,
e nele só viveremos felizes se nos entregarmos apenas ao que nos faz bem.

* Aviso: A cópia de qualquer texto sem autorização expressa do autor constitui crime de violação de direito autoral, conforme o art.184 do código penal cominado com a lei nº 9610 de 19 de fevereiro de 1998.

Geração Beat (Beat Generation, em inglês) ou movimento beat é um termo usado tanto para descrever um grupo de norte-americanos, principalmente escritores e poetas, que vieram a se tornar conhecidos no final da década de 1950 e no começo da década de 1960, quanto ao fenômeno cultural que eles inspiraram (posteriormente chamados ou confundidos aos beatniks, nome este de origem controversa, considerado por muitos um termo pejorativo). Estes artistas levavam vida nômade ou fundavam comunidades. Foram, desta forma, o embrião do movimento hippie, se confundindo com este movimento, posteriormente. Muitos remanescentes hippies se auto-intitulam beatniks e um dos principais porta-vozes pop do movimento hippie, John Lennon, se inspirou na palavra beat para batizar o seu grupo musical, The Beatles. Na verdade, a "Beat generation", tal como os Beatles, o movimento hippie e, antes de todos estes, o Existencialismo, fizeram parte de um movimento maior, hoje chamado de "contracultura".

Na estrada ... Bob Donlin, Neal Cassady, Allen Ginsberg, Robert La Vigne e Lawrence Ferlinghetti fora da livraria City Lights em 1956. Fotografia: Allen Ginsberg / Corbis


As obras mais conhecidas da Geração beat na literatura são Howl (1956) de Allen Ginsberg, Naked Lunch (1959) de William S. Burroughs e On the Road (1957) de Jack Kerouac.[1] Tanto Howl quanto Naked lunch foram o foco da prova de obscenidade que ajudaram a libertar o que poderia ser publicado nos Estados Unidos. Seus principais autores eram publicados pela City Lights Books, editora de San Francisco, pertencente ao poeta beat Lawrence Ferllinghetti.

On the Road transformou o amigo de Kerouac, Neal Cassady, em um herói dos jovens. Os membros da Geração beat rapidamente desenvolveram uma reputação como os novos boêmios hedonistas que celebravam a não-conformidade e a criatividade espontânea. É interessante observar que a geração beat representou a única voz nos EUA a levantar-se contra o macartismo, política de intolerância que promoveu a chamada "caça às bruxas", resultando em um período de intensa patrulha anticomunista, perseguição política e desrespeito aos direitos civis nos Estados Unidos, o qual durou do fim da década de 1940 até meados da década de 1950. Vale observar que muitos dos chamados "beats" eram comunistas ou de esquerda, sendo, no geral, de tendência anarquista, se os analisarmos de um ponto de vista político. Ainda assim, nunca foram aceitos como verdadeiros esquerdistas pelos comunistas ortodoxos, como Fidel Castro, por exemplo. Formalmente, a poesia beat de Ginsberg, Gregory Corso e Lawrence Ferllinghetti se aproxima bastante da poesia surrealista, bem como ocorre com a prosa um tanto caótica de Burroughs. Já a prosa de "On the road", de Kerouac, é simples e espontânea, politicamente corajosa, mostrando que muitos poderiam demonstrar sua inconformidade e expressar seu próprio eu sem serem propriamente eruditos através da arte, e que o "kitsch" pode elevar-se ao sublime.

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